Lembrança da adolescência
Aqui decamado por Manuela de Leon

- O riacho que serpenteia,
- Entre os choupos e canaviais,
- Nas várzeas da minha aldeia,
- Rega hortas e arrozais,
- Aguas que passam e não voltam mais.
- Num raio de sol, luz crescente,
- O meu olhar filma, minha imagem,
- A reflectir na limpidez da agua fluente,
- Os pássaros trovam melodias condizente,
- A fusão com essência da paisagem,
- Levam – me até ao proscénio tocante,
- Deixam minha alma a sonhar,
- E recordo quando em crianças,
- Na época do ar soalheiro e sol quente,
- Íamos para o riacho brincar.
- De um brilhantismo quase penetrante,
- O azul do céu a reflectir,
- Faz a presença do espírito girar.
- O espelho da agua não pode iludir,
- Reduto perfeito, às carpas copular,
- Lembro com saudade, o airoso sorrir,
- Quando pelo espelho da agua,
- Os teus olhos, eu via cintilar.
- Quadra airosa da nossa mocidade,
- Tal coma a agua seguiu seu caudal regular,
- Dia após dia, cada vez mais distante,
- Esses momentos que vêm à reminiscência,
- Ficaram apenas a lembrança do brilho do teu olhar.
- Hoje, as rugas do meu semblante,
- Retratam as águas do riacho a frisar,
- E aquele menino que to viste crescer,
- Foi na adolescência o teu namorado,
- Só uma coisa que se mantêm a realçar.
- É que mesmo de rosto enrugado,
- Ainda continua a sonhar!!!!!
- De Albino Lima


















































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